Eu não sei como você acordou hoje, mas eu confesso que tem sido difícil abrir o noticiário.
Parece que, a cada clique, um pedaço da nossa segurança é arrancado. Vemos mulheres que dedicaram a vida a entender a lei serem vítimas da ausência dela. Vemos o direito de dizer "não" ser respondido com violência física, como se a nossa autonomia fosse um convite ao ataque.
Mais do que isso: assistimos à tentativa constante de culpar quem sofreu a dor e à lupa cruel que vigia cada curva de corpos que deveriam ser livres — como se até a alegria de uma mulher em seu próprio corpo, como vemos acontecer com a Paolla Oliveira, fosse algo a ser julgado e disciplinado.
Escrevi "(sobre)viver e morrer num corpo de mulher" porque cansei de engolir esses silêncios.
Este livro nasceu da necessidade de dar nome ao que sentimos quando entramos num carro de aplicativo com o coração batendo mais forte, ou quando o espelho nos devolve uma imagem que o mundo insiste em dizer que está "errada".
Ele não é apenas um livro de poesias e prosas. É um manifesto. É um suspiro de quem sabe que viver nesse corpo é, muitas vezes, um ato de resistência política e poética.
"A violência não acontece só no ato físico. Ela acontece todas as vezes que uma mulher precisa provar que é uma boa mãe, uma boa profissional e uma boa esposa para ser respeitada."
Eu queria te convidar a ler estas páginas. Não para encontrar respostas prontas, mas para encontrar companhia. Para que, juntas, a gente possa transformar esse "medo angustiante" em verbo, em grito e em força.
O meu livro faz parte da Coleção Gralha Azul e é um pedaço da minha história que eu quero entregar nas suas mãos.
Se você sente que o mundo tem pesado demais, saiba que estas palavras foram escritas para te dizer: eu vejo você. Nós não estamos sozinhas.
Com carinho e resistência,
Francine Cruz.
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