15 novembro 2010

Resumos Bienal 8 Carlos de Brito e Mello e Manoela Sawitski

Tema: Os desafios da nova prosa brasileira.

Para Manoela, a internet é a melhor amiga do jovem escritor por democratizar o acesso, a exposição e divulgação das obras.
Pata Carlos, a nova geração da prosa brasileira tem muitos relatos autobiográficos em suas obras, é a obra transitando na vida do autor e vice-versa.

Falando sobre os críticos, Manoela desabafa: A crítica não pode ter o papel de elevar ou condenar. Ela não é a autorização para você continuar ou parar de escrever. O autor não pode se achar o máximo quando é elogiado e nem se achar um lixo se é criticado.

Carlos finaliza citando o autor Samuel Beckett que hoje é Nobel de Literatura mas teve seu primeiro livro recusado mais de 70 vezes.

É isso aí pessoal, não podemos desanimar nunca!

12 novembro 2010

Resumos Bienal 7 Eduardo Spohr e Orlando Paes Filho

Tema: Entre vampiros e sagas: o livro é uma aventura.

Os autores rebatem a premíssa de que se o livro fez sucesso é fraco, baixo nível.
Para eles é preciso ter personalidade e seguir em frente pois quando se faz sucesso sempre surgem os "haters" (pessoas que odeiam o livro).

Orlando também afimou que não permitiu a adaptação de Angus para filme pois queriam retirar toda a parte do misticismo cristão do personagem (um cavalheiro medieval) o que, para ele seria descontextualizar a história.

Os autores deixam como dica o site: http://www.nerdcast.com.br/ e o episódio 215, onde eles explicam uma maneira de "como escrever".

Para ambos, entretanto, há uma dica principal: planejar a história e trabalhar!

08 novembro 2010

Resumos Bienal 6 Felipe Pena e André Vianco

Tema: Literatura Pop e de entretenimento: que gênero é esse?

Para eles, toda literatura é entretenimento e arte.

Muitos escritores escrevem não para serem lidos, mas para serem estudados pela academia. É necessário escrever com paixão, com o coração e não ficar maquinando palavras difíceis.

Pena analisa que escrever "fácil" é muito difícil. Significa que o escritor soube explicar o complexo bem.

Vianco também afirma: há um pensamento de que vender muito livro (ser best seller) é pecado, no entanto o escritor precisa profissionalizar a escrita, ela é sua profissão e ele precisa ter leitores para sobreviver dela. O livro é a sedução pela palavra. Ele não é do escritor e sim do leitor, cada um faz uma leitura diferente de acordo com suas experiências.

03 novembro 2010

Resumos Bienal 5 Laerte e Marçal Aquino

Tema: Literatura, cinema, TV e quadrinhos: como se dá esse diálogo?



Para eles, o texto não tem dono. É preciso ter liberdade para se fazer adaptações sem se preocupar com a fidelidade do livro para o cinema (não pensar em traição), pois a dinâmica da linguagem é outra e é preciso levar isso em conta. É impossível incluir tudo do livro no filme.

Marçal: "Quando levanto da cama e penso em escrever digo pra mim mesmo: vou ser fiel a esse sonho".

Para ele também é importante que o escritor escreva por que tem algo importante a dizer e não de seis em seis meses só pra ganhar dinheiro.

Escrever com liberdade: as gírias e linguagem dependem do público alvo.
Entretanto, o autor não deve tutelar o público (esse pode ler, esse não). Ele deve acreditar fortemente no seu livro, na sua verdade ao escrever.

E finalizam:

"O mercado é soberano, tem que vender ou tá fora".

29 outubro 2010

Resumos Bienal 4 José Castello e Cristovão Tezza

Tema: A voz do escritor: como alcançar um estilo narrativo.



Segundo Cristóvão Tezza, a descoberta da voz nunca termina, ela começa com as referências de autores já lidos e depois nossas próprias vozes começam a surgir em nossa cabeça. Tezza afirma: "Sou um autor confessional e não autobiográfico".
Entretanto, segundo ele, "problema pessoal não é literatura", para fazer literatura é preciso que, a partir desse problema pessoal, o escritor se afaste e recrie uma história  que se torne social, aí sim é literatura. Para ele, é necessário que se crie uma estrutura ficcional. O ponto de partida pode ser o problema pessoal do autor mas o resto deve ser ficção. Segundo Tezza, é necessário partilhar uma experiência e não fechar verdades e por isso o narrador não pode ter medo de ser cruel e ficar com pena dos personagens, botando panos quentes em tudo.
José Castello, outro autor convidado finaliza: É necessário ler bastante os clássicos para enxergar como eles "se ouviam". Escrever não se ensina, escrever é se ouvir.

26 outubro 2010

Resumos Bienal 3 Ana Miranda e Márcio Souza

Tema: Quando a vida vira ficção.



Para Ana, há uma correlação profunda entre tempo e linguagem. Nos livros que descrevem períodos antigos a transposição do tempo é feita pela linguagem que mostra o espírito daquele tempo, o que era falado na época.
A linguagem é um elo entre o passado e o presente. A história é uma visão do passado com olhos do presente.

Segundo Ana, alguns escritores tem a tendência de explicar as palavras antigas em seu livro o que faz perder a naturalidade. Ex: "Tomou um suco de pucarinho, um suco feito de tal coisa, assim, assado..."

Para Márcio, os leitores devem ter discernimento na leitura pois os romances históricos embora narrem alguns fatos, locais e pessoas que realmente existiram são uma obra de ficção.

Sobre seu processo de escrita, Ana comenta:

"Meus livros quase sempre começam com sonhos. Vou elaborando meus livros todos juntos ao longo dos anos, sonho com alguma coisa e penso: um dia vou escrever sobre isso! Com o passar do tempo o livro se forma."

22 outubro 2010

Resumos Bienal 2 Sérgio Rodrigues e Adriana Lisboa

Tema: Literatura Digital, e-book e o leitor do futuro: há uma revolução em curso?



Para os autores, a literatura é feita com palavras, por isso, no caso da multimídia (literatura junto com artes visuais, música, etc...) deveria mudar de nome. O escritor na verdade não seria mais "escritor" e sim um contador de histórias.
O Sérgio deu até mesmo um exemplo: A ópera é a junção de teatro e música e tem seu nome próprio: ópera!
Entretanto, para ambos a forma tradicional de escrita só com palavras tem seu valor e se perpetua pois muitas vezes o que o escritor pensa não é aquilo que o leitor vai imaginar ao ler a obra.

Para eles, a palavra é revalorizada com a internet através do uso de blogs, msn, redes sociais, pois as pessoas sentem necessidade de se expressar com palavras.

Um detalhe porém, é que o uso da internet, facilitando a capacidade de interligar assuntos desconexos (surfando de hiperlink em hiperlink) faz com que as pessoas passem a ler mais sobre mais coisas mas com pouco aprofundamento. As pessoas estão menos pacientes, leem textos mais curtos e sintéticos, o que pode ser reflexo também de um ritmo de vida mais acelerado.
Nesse sentido, para os autores, a literatura seria como "um último santuário de calma e aprofundamento" onde as pessoas poderiam "descansar" do ritmo de vida acelerado com um romance de 500 páginas.

Sobre as redes socias, os autores a enxergam como uma forma de divulgação dos trabalhos. No entanto, alertam para o seguinte: a facilidade de publicação na internet pode causar uma publicação apressaa e "verde", que talvez ainda precisasse ser lapidada e amadurecer antes de ser publicada.

Para Adriana há prós e contras a leitura no computador: ler no computador é desconfortável, porém é mais prático e ecológico.

Os autores também compararam a forma de escrita limitada do twitter (142 caracteres) com a forma do Haicai (17 sílabas).

Para finalizar comentaram que o leitor precisa ter uma bagagem educacional para discernir o que é bom ou confiável na internet e que o autor precisa criar um tempo para escrever e isso é uma coisa solitária (precisa abdicar de outros prazeres e de companhia) e lembraram também que, nesse ponto, as redes sociais podem ser um "sugador de atenção efêmero" fazendo o escritor desperdiçar um tempo precioso, por isso é necessário ter muita disciplina e saber diferenciar a vida virtual da vida real.