Mostrando postagens com marcador débora bacchi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador débora bacchi. Mostrar todas as postagens

14 agosto 2020

Feminicídio

     Para mim, enquanto mulher, falar de feminicídio é abrir uma ferida profunda no meu próprio coração. Sim, porque mesmo sem ter passado por isso, me sinto irmanada a todas as mulheres que tiveram suas vidas ceifadas pelo simples fato de ser mulher. Todas elas são minhas irmãs, minhas mães, minhas avós, minhas tias, minhas amigas de infância!

     Em homenagem a todas elas, esse meu poema acompanhado de uma belíssima arte da Débora Bacchi.



Feminicídio


Flores na cabeça

Adornam o rosto pálido

Ferido por um animal

Chamado Homem


(Francine Cruz)


30 junho 2020

Elucubrações existencialistas

A dualidade razão x emoção tem sido uma das principais angústias da humanidade. Representados de modo genérico pelas figuras do cérebro e do coração, muitos artistas já expressaram esse paradoxo. Lembremos rapidamente do período barroco, de Jane Austen e seu clássico Razão e Sensibilidade e (porque não?) daquele poprock chiclete dos anos 2000 que brinca com razões e emoções.
Há defensores aguerridos de ambos os lados. Os racionais, comumente pragmáticos, focados na realidade e em resultados objetivos prezam por uma vida estável, com segurança, estabilidade e planejamentos de curto, médio e longo prazo.
Ao contrário dos emocionais e sua tendência a devaneios, sonhos e subjetividades. Podem ter planos? Claro! Mas eles são mutáveis e/ou até mesmo esquecidos se surgir alguma coisa mais interessante no meio do caminho.
E há os que acreditam ser um erro separar as duas coisas, afinal, somos um só corpo com dois órgãos de extrema importância, sem os quais não se vive.
O coração é um músculo involuntário, é impulsor do líquido rubro que corre em nossas veias, é ritmo de vida. O cérebro é um controlador de tudo, seja voluntário ou não, é conexão sináptica, é complexidade. Quando estão em sincronia é uma beleza. O problema é quando não estão.


Se o coração predomina, subjugando o cérebro como a um cativo, corre-se o risco da irresponsabilidade, da inconsequência. Deixar cada qual na sua caixinha também não funciona. Repressora de sentimentos, a razão solitária pode acabar em depressão.
É aí que entra Têmis, segurando com imparcialidade a balança da justiça. Num prato a emoção, no outro a razão. Eis a difícil sabedoria da dosagem correta, pois o que pode ser um remédio também pode se tornar veneno.



A saída está no equilíbrio. Como um yin-yang, razão e emoção precisam ser ao mesmo tempo antagônicas e complementares. Em alguns momentos a razão vai predominar, em outros a emoção é que vai, fazendo-se necessário uma gota de cada uma dentro da outra.
Enfim, a vida não acontece por compartimentos. A verdade é que, tanto aquilo que ocupa o espaço interno do crânio como o objeto que preenche o vazio do peito são duas faces da mesma moeda. O problema é que o valor de cada um deles é mensurado por uma balança que já escolheu seu lado.

(Texto: Francine Cruz)

Arte em nanquim: Débora Bacchi