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11 agosto 2020

14 corpos de João e Maria - Um livro que não é para os fracos

     Publicado pela Kafka edições, 14 corpos de João e Maria é o primeiro livro do professor e escritor João Paulo Partala, nascido em Curitiba, mas atual morador de Colombo (região metropolitana). O livro faz parte da coleção geração PR10 (6 novos autores da literatura paranaense e brasileira). 
     Partala foi meu colega em diversas oficinas de criação literária promovidas pela Fundação Cultural de Curitiba no início da década de 2010 e de lá pra cá refinou ainda mais sua escrita, que já era excelente, construindo um livro de estreia impactante. 


     O livro fala de morte. E não há nenhum romantismo acerca disso. Partala nos traz a realidade nua e crua, aquela verdade cruel que muitas vezes viramos o rosto pra não enxergar. São 14 contos que versam sobre as mortes banalizadas e naturalizadas de Marias e Joãos que representam os indivíduos invisíveis na nossa sociedade, aqueles que só são lembrados em época de eleição, que vivem uma vida inteira de exclusão social e na morte prosseguem com a mesma invisibilidade que tiveram na vida. 

"Janjão olha. A fusão Iguaçu sobe depressa sem que haja resistência alguma. Um desses carros novos, financiados em sessenta vezes com altas taxas, para próximo à cabeceira da ponte onde está Janjão. 'Olha, filho... Quanta água! Parece que vai levar aquele barraco... Levou! Olha ali, ó... Um piazinho numa tábua, se fosse você surfava, né?' E ria. Ao perceber o homem ali parado, começou a falar mais baixo, entrou no carro e saiu devagar, ainda rindo do piazinho, que além de tudo vestia-se muito mal, com uma camiseta de vereador da eleição passada. Muito fora de moda." (Conto: Mar de Acrópole) 

     O livro é marcado por uma forte crítica social, retratando o cotidiano de sujeitos engolidos por um sistema capitalista que promove gigantescas desigualdades sociais, colocando um abismo mesmo entre aqueles que param com seu carro (financiado em 60 vezes) para mostrar, entre risos, a enchente levando os barracos ao filho e aqueles que perderam tudo, inclusive a vida, numa enchente. 
     A existência desses Joãos e Marias, que usam boné e camiseta do candidato a vereador não tem valor, a menos que seja época de eleição.


25 março 2011

FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA

Esse post é para falar da Fundação Cultural de Curitiba.

Em comemoração aos 318 Anos da Cidade de Curitiba, a FCC organizou ontem 24/03/11 o lançamento da COLEÇÃO CIDADE DE CURITIBA, composta por quatro publicações:

- "Poemas de 3000 anos", poesia, de Emerson Pereti

- "No lado avesso moram as asas", romance, de Mayra Coelho

- "Tristescontos", contos, de Enéas Lour

- "Inventário e descobrimentos: os tecidos do corpo", contos, de Renato José Bittencourt Gomes

As quatro obras da coleção foram viabilizadas com recursos do Fundo Municipal da Cultura e contemplam os gêneros poesia, romance e contos.

Todo o programa Curitiba lê está de parabéns com suas Casas de Leitura, Estações da Leitura, Biblioparques, Bondinho da Leitura, etc.

Só uma coisa deixou a desejar esse ano: as Oficinas de Criação Literária!

No ano passado tivemos várias opções de oficinas com os mais variados temas e contemplando diversos gêneros, esse ano foram pouquíssimas opções. Fiquei triste, pois esperava não só que mantivessem o mesmo nível do ano passado mas que ampliassem as oficinas. Conversei com muitos colegas e todos relataram a mesma decepção.

Vamos rever isso ai FCC??? Curitiba lê mas também precisa de formação para novos escritores!




Colegas da Oficina de Mito e Literatura

Colegas das Oficinas de Narrativas Longas e Mito e Literatura
  


Minha colega de turma de Narrativas Longas Mayra Coelho autografando seu romance.