27 dezembro 2020

Lançamento da Antologia Parem as Máquinas!



 

    A Editora Selo Off Flip promoveu no ano de 2020 uma chamada para seleção de textos com temática livre para composição de Antologia nos gêneros conto, crônica e poesia. A Antologia, intitulada "Parem as Máquinas!" foi pensada em meio a pandemia mundial, quando a maioria da população precisou mudar seus hábitos de vida. 

    Os textos passaram por uma etapa de seleção, curadoria e coordenação editorial realizada por Ovídio Poli Júnior e Olga Yamashiro. 

    Segue um trecho da orelha do livro:

    "Esta antologia nasceu em momento grave, no qual a humanidade se vê às portas de uma possível extinção devido às agressões cometidas contra si mesmo e contra todo o ecossistema terrestre, que mostra sinais de exaustão. Momento de crise, momento de resistir e abrir novos caminhos diante das adversidades. Numa época em que governantes tentam desqualificar a arte e menosprezar quem a cultiva.
    Em resposta a esse cenário, depois de meses de trabalho publicamos uma amostra de nossa diversidade regional, com textos que dão lugar a diferentes tons e registros: o dramático e o trágico, o épico e o lírico, a crítica social e política, o humor e a satírica, a humanidade em perspectiva histórica e filosófica."

    Participei com textos nos três gêneros e fui selecionada em todos. Nos livros da Antologia vocês podem ler meu poema "Feminicídio", meu conto "Era uma vez" e minha crônica "Ana". 

    O lançamento da Antologia acontecerá no próximo dia 30/09/2020 na página do Facebook do Selo Off Flip às 19:00 horas e contará com a participação dos autores.

Confira o evento completo em: https://www.facebook.com/watch/?v=328097748239974 

Aqui vocês podem ver um recorte do evento, com a minha participação: 


    Abaixo vocês podem ouvir a minha leitura dos outros textos que estão na Antologia:






01 novembro 2020

Lançamento do E-Book Declame para Drummond

Capa de @luda_aquareluda


     Para celebrar uma década de vida do projeto "Declame para Drummond" foi lançado ontem (31/10/2020), aniversário de Drummond, um E-Book com todos os poemas do Declame para Drummond nestes 10 anos com distribuição gratuita!

     Para receber o E-BOOK Declame para Drummond 10 anos basta solicitar pelo e-mail marinamara@gmail.com ou pelo WhatsApp (61) 98242-2944 que ele será enviado para você! ⭐

     No ano de 2020 os poemas foram publicados no formato vídeo poemas e podem ser vistos no link:

bit.ly/3jlowJx e



Meu poema "Feminicídio" faz parte da edição de 2020. 



Viva a Poesia!
Viva Drummond!

04 outubro 2020

Lançamento do livro: Maternidades Plurais




O lançamento do nosso livro "Maternidades Plurais: os diferentes relatos, aventuras e oceanos das mães cientistas na pandemia" foi realizado no dia 15 de outubro pela Editora Bindi com o selo Bindi Acadêmico. 

Projeto maravilhoso, do qual faço parte como uma das autoras.

Apresentação: Marinete da Silva (Instituto Marielle Franco, mãe da Marielle Franco).

Prefácio: Manuela D'Avila (autora do livro "Revolução Laura: reflexões sobre maternidade e resistência").

Organizadoras:
Ana Carolina Eiras Coelho Soares (FH/UFG e GEPEG/UFG/CNPQ)
Camilla de Almeida Santos Cidade (NIEM e UFF)
Vanessa Clemente Cardoso (Mamães na pós-graduação e UFG).

Capa: Ilustração de Suellen Peixoto de Rezende (GEPEG/UFG/CNPQ).

Equipe Revisora: Juliana Marcia Santos Silva, Lajla Katherine Rocha Simiao, Maiara Moreira Andraschko e Nathalia Pereira de Oliveira Sousa.

Autoras: Mais de 150 Mães cientistas potentes brasileiras e estrangeiras de várias universidades.

Apoio: GT - Gênero (ANPUH/Goiás) e GT Mulheres Cientistas e Maternidades Plurais. 

O site no qual o livro será disponibilizado para ser baixado de forma gratuita em PDF: https://www.editorabindi.com.br/

Fico muito emocionada com toda a construção desse livro, tenho certeza que vocês também vão se emocionar lendo os relatos!

Veja o vídeo do bate-papo entre três autoras do livro!






17 setembro 2020

Ambrose Bierce - Dicionário do Diabo


O livro Dicionário do Diabo de Ambrose Bierce na Edição da Carambaia, 2018 tem tradução e apresentação de Rogerio W. Galindo. Bierce traz em seus verbetes críticas ácidas às instituições, culturas, categorias e também aos indivíduos. Galindo sintetizou o livro nessa frase: a misantropia em verso e prosa.  

A primeira edição do livro data de 1881, com o título Vocabulário do Cínico. O livro reúne textos/verbetes que ele havia publicado em jornal e acumulado durante 25 anos na temática contra a soberba e a arrogância humana.


Alguns exemplos de verbetes:


Aborígenes: (aboriginies), s.2g.pl.

Pessoas de pequeno valor encontradas penando sobre o solo de um país recém-descoberto. Em breve elas deixam de penar; passam a fertilizar. 


Desobediência (disobedience), s.f 

O lado positivo da servidão.


Perda (loss), s.f

“Aqui jaz sir Huntington, voltou ao pó.

A perda que teve foi a nossa vitória,

Pois quando vivia, em toda a sua glória,

O que ele ganhava perdíamos nós”. 


*Collis P Huntington (1821-1900), magnata das ferrovias.

Ps: Huntington estava vivíssimo quando esse verbete foi escrito. 


Um excelente livro, que vale a pena ser lido!


Abaixo meu vídeo comentando esses e outros verbetes do livro:





06 setembro 2020

EDUARDO GALENO - O LIVRO DOS ABRAÇOS


“Um conto toca um ponto

de alguém que precisa urgentemente 

de uma palavra materializada” 

(Everton Marcos Grison)


Estou insuportável, confesso. Nem eu mesma me suporto ultimamente. Nada me agrada. Nem as coisas que costumavam me agradar. 

Ando desanimada com o mundo. É tanta violência, corrupção, impunidade. Estamos indo a passos largos para nossa própria destruição e parece que ninguém vê. Se vê, está cansado demais de nadar contra a corrente. Ou é andorinha solitária, que não pode fazer verão.

Em meio a uma pandemia, o que prevalece é o egoísmo. O bem estar pessoal antes do bem estar coletivo. Dane-se você, vou fazer o que eu quiser. Isso é defender a liberdade? Pode haver esperança - não pra nós, já dizia Kafka.

As veias abertas da América Latina sangram como nunca. Mas não só elas. O mundo inteiro vem sendo dilacerado dia após dia.

Salva-me, como sempre, a arte. E um bom conselho do marido: “Você precisa de um abraço, leia o Galeno.”

Na mosca! Saiu um sorriso só de lembrar desse livro, que me aquece o coração.

Eduardo Galeano (1940-2015), foi um escritor uruguaio que conseguiu com uma precisão cirúrgica e uma beleza indescritível trazer em seus livros as memórias de um povo, torná-las vivas e eternas, como devem ser. 


“Recordar: Do latim re-cordis, tornar a passar pelo coração.”


A função da arte/1


Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.

Viajaram para o Sul.

Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.

Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

- Me ajuda a olhar!”


(Trechos de: O Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano)


        Galeano, com sua arte, me trouxe um sopro de vida. Um oásis onde repousar a alma.

       Em tempos de desesperança, não preciso de ilusões, muito menos do grito da desgraça. Tenho necessidade vital do silêncio da beleza.


Se quiser ver mais textos e comentários, assista o vídeo:





04 setembro 2020

Ilusão x Desilusão

 Ai quem me dera uma feliz mentira 
que  fosse uma verdade para mim!
J. Dantas

Arte: Débora Bacchi


Em tempos pandêmicos, a reflexão acaba se tornando mais constante, mesmo para alguém como eu, que não tem muita paciência. Vide as circunstâncias tumultuadas do mundo ao nosso redor, o melhor mesmo a fazer é tentar sossegar a mente e entender algumas coisas dentro da gente primeiro.

Foi então que me peguei a pensar em algumas palavras. Gosto de brincar com elas, sou escritora, palavras são meu instrumento de trabalho e minhas companheiras. Devido a algumas situações ocorridas nos últimos tempos, cheguei a palavra ilusão. 

Para mim, ilusão tem um sentido ruim, significa que você não está percebendo as coisas da maneira como elas realmente são, ou seja, está se enganando. Sendo essa palavra negativa - ao meu ver, fui levada instintivamente a pensar num antônimo. Cheguei em desilusão, que literalmente acabou com minhas esperanças. 

Se ilusão era engano, desilusão era decepção, desapontamento. Encontrei-me numa encruzilhada. Seriam as duas palavras ruins? Alguma delas poderia ser boa? 

Um ilusão nos deixa felizes com uma mentira. Uma desilusão nos deixa tristes com a verdade. É melhor ser alegre que ser triste? Ou é possível alegrar-se pela tristeza causada pela desilusão?

A vida não precisa ser tão cartesiana a ponto de nos obrigar a uma única escolha. Gosto de ter minhas ilusões (ou não seria escritora, muito menos professora!) e gosto de perdê-las de vez em quando também, porque não quero ser feita de trouxa. 

Sair do País das Maravilhas às vezes é necessário, mas ter um ranchinho dentro dele pra passar um tempo é espetacular! 

21 agosto 2020

Razões para ler Flush de Virgínia Woolf como um escritor:

 Flush: memórias de um cão é a biografia fictícia de um cão cocker spaniel de origem inglesa que mostra a história de amor dos poetas Robert Browning e Elizabeth Barret percebidos através do ponto de vista do animal de estimação de Elizabeth. 

Algumas razões para você ler esse livro que parece (mas não é) um livro infantil:

1) Virgínia Woolf (Inglaterra, 1882 – 1941) foi uma das maiores escritoras de língua inglesa do século XX, além de crítica literária, ensaísta e editora com grande influência na literatura mundial, sendo considerada uma das figuras mais proeminentes do modernismo. 


2) É um livro aclamado pela crítica e pelo público, muito bem escrito, porém leve e fácil de ler:  

Muito já foi dito sobre as principais obras de Woolf, porém encontramos uma lacuna quando se trata de Flush: memórias de um Cão que talvez por ser o livro mais acessível da autora acaba sendo pouco estudado nos meios acadêmicos. Entretanto, apesar da fácil acessibilidade, Flush em momento algum é menor do que as outras obras da escritora, ao contrário, seu estilo leve, bem humorado e simples mostram o amadurecimento da autora e sua segurança em tratar de temas sérios como a crítica irônica feita à sociedade burguesa vitoriana e seus valores. 

Lembrando: para escrever de maneira “fácil” é preciso ter pleno domínio da escrita. Esse livro consumiu cerca de dezoito meses de trabalho de Woolf, sendo, portanto, uma brincadeira bastante séria, pois, ao criar um livro de memórias de um cão, Virgínia explorou os recursos da narrativa de forma primorosa e levou o fenômeno da consciência para além dos limites do real.   


3) Traz aspectos históricos sobre outros escritores, tem intertextualidade com outras obras: 

Robert Browning (Inglaterra, 1812 – 1889) e Elizabeth Barrett (Inglaterra, 1806 – 1861) foram dois grandes poetas ingleses da época vitoriana. As Cartas de Robert Browning e Elizabeth Barrett Barrett (2005) reúnem em dois volumes as 573 correspondências trocadas pelos poetas entre os anos de 1845-1846.

A história de amor vivida por Robert e Elizabeth e retratada nas cartas possuem dois atrativos para o público: primeiro por sua beleza estética e literária e segundo por seu conteúdo biográfico. Seja como for, a obra é, sem dúvida alguma, a mais célebre correspondência de amor da língua inglesa.

Todo o romance é descrito nas cartas e também no livro Sonetos da Portuguesa (2011) cujos poemas foram escritos entre uma carta e outra e se entrelaçam com a correspondência narrando a história de amor entre os dois.

O conceito de intertextualidade proposto por Kristeva (1980) é de que qualquer texto é construído como um mosaico de citações e uma absorção e transformação de outro. Woolf utilizou-se daquilo que leu anteriormente para compor sua obra e isso foi representado tanto por meio de paráfrases como de citações diretas. Woolf explora o discurso de outro e utiliza-se da palavra ambivalente, tendo como característica também uma influência ativa (modificação) da palavra de outro em palavra do escritor. 


4) Faz um retrato social e econômico da Inglaterra vitoriana: mostra de maneira sutil as diferenças culturais e sociais do período, fazendo uma crítica à sociedade burguesa vitoriana.        


5) O estilo da escrita, aprofundando a consciência do protagonista e usando muito a cinestesia:

        Apesar de ter sido escrito em terceira pessoa, o livro Flush: Memórias de um Cão (2010) nos traz quase sempre a visão de Flush. Segundo Wood (2011) esse processo se chama “estilo indireto livre”, pois ao mesmo tempo em que o autor nos traz a onisciência da terceira pessoa, traz também um compartilhamento de segredos que nos faz ver o modo de pensar e falar do personagem, assumindo suas qualidades e dando a ele a posse das palavras. Através desse estilo, o escritor está livre para conduzir o pensamento e conformá-lo às palavras do personagem, aproximando-se do fluxo de consciência, que é justamente a direção que o estilo indireto livre toma no fim do século XIX e início do XX.
        Podemos ver no livro como Flush "enxerga" o mundo de forma diferente dos humanos, muito mais com o olfato ou o tato, por exemplo, sendo uma excelente forma de ver como a autora lidou com a questão da perspectiva e do ponto de vista do cachorro.

Essas são algumas razões, dentre muitas outras para você ler Flush!