20 julho 2020

DICAS PARA ESCRITORES: FUJA DESSES 3 VÍCIOS!


ATENÇÃO AOS VÍCIOS APONTADOS ABAIXO,
ATÉ MESMO AUTORES EXPERIENTES COMETEM ESSES ERROS,
QUE PODEM FAZER O LEITOR ABANDONAR O SEU LIVRO.


  1. EXCESSO DE ADVÉRBIOS: 


Evite o uso excessivo de advérbios, em especial os advérbios terminados em mente que, são em geral, os advérbios de modo: calmamente, tranquilamente, alegremente… Mas também podem ser de afirmação: certamente, realmente… de tempo: imediatamente, diariamente… de dúvida: provavelmente, possivelmente, eventualmente… de intensidade: excessivamente, intensamente, demasiadamente… 

Os advérbios são utilizados para caracterizar os verbos ou intensificar o sentido de adjetivos ou outros advérbios, eles ajudam o leitor a visualizar com mais clareza o que acontece na história, porém devem ser usados com moderação. O excesso desses complementos podem estragar a riqueza do conteúdo e tornar a leitura cansativa. 

Stephen King no seu livro “Sobre a Escrita” enfatizou várias vezes que "os advérbios não são seus amigos" e que  "a estrada para o inferno é pavimentada com advérbios".

Usando os advérbios em excesso, o escritor demonstra que tem medo de não conseguir passar sua mensagem e expressar com clareza. Vamos considerar a frase “Ele fechou a porta firmemente”.

Não é uma frase de todo ruim, mas será que o “firmemente” precisava mesmo estar ali? O “firmemente” está expressando o modo como a porta foi fechada, mas se o autor conseguir dentro da sua narrativa esclarecer o que está se passando naquela cena, o que veio antes desse fechar a porta, o contexto em que a frase está inserida, talvez dizer que a porta foi fechada firmemente se torne redundante ou desnecessário.


  1. ADJETIVAÇÃO FÁCIL: 

Evite inchar suas descrições com adjetivos. Um bom escritor deve criar as imagens, mostrar e não contar (o famoso show, don’t tell).

O ideal é encenar (colocar em cenas) e não falar explicitamente.

Ex: um personagem lindo e muito desejado pelas mulheres, fazer uma cena onde ele chega e todas as mulheres param para olhar e não falar de forma explícita que ele era “lindo e desejado”.

É de suma importância caracterizar as personagens através de seus atos e falas. Ex: um cara babaca, não basta falar que ele é babaca, tem que fazer ele agir e falar como um. 


  1. PANFLETARISMO OU LIÇÃO DE MORAL: 


LITERATURA NÃO É PARA CONVENCER OS OUTROS DOS SEUS ARGUMENTOS E IDEIAS PESSOAIS, LITERATURA É ARTE!

 

A função do texto literário é estética, poética, sua linguagem deve ser expressiva e subjetiva, é um texto conotativo, que usa o sentido figurado. Não é pra ser denotativo, utilitário, para convencer, informar ou explicar as coisas.  

TCHEKOV em seu livro “Sem trama, sem final” também diz que escrever não é passar sermão. Ao representar ladrões de cavalos, todo mundo sabe que roubar é um mal, a função não é julgá-los. (deixem isso para os jurados), a minha função é apenas mostrar como eles são.

No livro “O último leitor” de David Toscana, o personagem Lucio trabalha numa biblioteca e fica decidindo quais livros vão para a prateleira e quais vão para o lixo. Logo nas pgs 11 e 12 ele faz sua primeira crítica ao romance fictício intitulado: "As cores do Céu" de Brian MacAllister

 

(...) " Sabe o que o espera, traste dos infernos? O negro negou com a cabeça embora sua expressão de horror revelasse que sabia muito bem o que o esperava. Os dois o levaram à barreira e o fizeram ver com terror as águas que Murdoch acabava de observar com prazer. O negro parou de lutar. Preferia acabar com tudo de uma vez por todas a continuar aguentando a humilhação de ser arrastado como um cachorro, desviando-se das fezes dos cavalos, ouvindo conversas de bêbados. Você quer dizer alguma coisa antes de enfrentar seu destino?, perguntou Murdoch. O negro disse que sim e, tentando fazer com que sua voz não tremesse, falou: Há um Deus que não diferencia as cores da pele, que ama igualmente negros e brancos... Lucio bufa e fecha abruptamente o livro. Duzentas páginas para que esse negro venha dar lição de moral feito uma freira."

 

É imprescindível diferenciar o autor pessoa (aquele que organiza esteticamente a obra) do autor narrador (um sujeito social, com seus valores e sua realidade). Ter isso em mente nos ajuda a evitar a tendência a explicar demais a história e os personagens (um bom autor precisa confiar na inteligência do seu leitor!).

Por fim, lembrem-se: a arte é provocativa, é rebelde, é revolucionária e muitas vezes causa estranhamento, nos faz refletir!

 

LIVROS CITADOS:

 

Anton Tchekov - Sem trama, sem final

Stephen King - Sobre a escrita

David Toscana - O último leitor 


13 julho 2020

Hélio Leites - um artista das palavras



Hélio Leites é artista plástico, poeta, performer, contador de histórias, arte-educador e um sujeito muito simpático! Conheci o Hélio em 2016 numa fe
ira literária em Arapoti na qual participamos juntos (eu estava gravidíssima!) e também já tive o privilégio de visitar sua barraca na Feirinha do Largo da Ordem aos domingos. Ele sempre tem uma boa história para contar e nos encantar com suas artes.



TARJA BRANCA - O LIBRETO QUE FALTAVA (CRÔNICAS) é seu primeiro livro e foi publicado pela Editora Prosa Nova em 2017. O livro  faz parte da Coleção por um mundo menor (por uma estética do mínimo, porém grandes na essência). 


“Tarja Branca é o remédio do futuro.

No futuro o remédio não vai entrar pela boca,

vai entrar pela orelha, é a palavra vestida de histórias,

curando aqueles que não se acreditam doentes". 



Alguns temas tratados no livro são: a vida cotidiana, a natureza, a religiosidade simples, a velhice e a arte. O livro é dividido em quatro partes: 


- Sobre a arte e o ofício da escrita (introduz a filosofia da tarja branca)

- Lembranças e Memórias (aborda questões sociais como a castração de animais e a desigualdade social)

- Religiosidade, ética e vida (traz personagens da cena curitibana como a "Santa" Helena Kolody e Efigênia Rolim, a Rainha de Papel de Bala).

- Encantos da vida e natureza (muitas flores, passarinhos, frutas e coisas belas para encher nosso olhar de encantamento)


"Onzimo mandamento: suportai-vos uns aos outros"


O estilo de escrita é permeado pela simplicidade e sabedoria franciscana,  pela espiritualidade dos santos sempre em harmonia com a natureza. Assim como para Espinosa ou Alberto Caeiro, para Hélio, Deus está em tudo, nas flores, nos passarinhos, nos rios.
O autor também traz originalidade com a criação de neologismos (pazciência, deuslicadeuza, artesanartes, etc).
O humor é o toque de mestre que Hélio usa para lidar com questões complexas como o autoconhecimento e a aceitação da (dura) realidade de que precisamos ser os protagonistas de nossa própria história. 
Enfim, um livro delicado e profundo, que vale a pena ser experienciado com tranquilidade.

Vídeo completo com leitura de algumas crônicas do Hélio:


30 junho 2020

Elucubrações existencialistas

A dualidade razão x emoção tem sido uma das principais angústias da humanidade. Representados de modo genérico pelas figuras do cérebro e do coração, muitos artistas já expressaram esse paradoxo. Lembremos rapidamente do período barroco, de Jane Austen e seu clássico Razão e Sensibilidade e (porque não?) daquele poprock chiclete dos anos 2000 que brinca com razões e emoções.
Há defensores aguerridos de ambos os lados. Os racionais, comumente pragmáticos, focados na realidade e em resultados objetivos prezam por uma vida estável, com segurança, estabilidade e planejamentos de curto, médio e longo prazo.
Ao contrário dos emocionais e sua tendência a devaneios, sonhos e subjetividades. Podem ter planos? Claro! Mas eles são mutáveis e/ou até mesmo esquecidos se surgir alguma coisa mais interessante no meio do caminho.
E há os que acreditam ser um erro separar as duas coisas, afinal, somos um só corpo com dois órgãos de extrema importância, sem os quais não se vive.
O coração é um músculo involuntário, é impulsor do líquido rubro que corre em nossas veias, é ritmo de vida. O cérebro é um controlador de tudo, seja voluntário ou não, é conexão sináptica, é complexidade. Quando estão em sincronia é uma beleza. O problema é quando não estão.


Se o coração predomina, subjugando o cérebro como a um cativo, corre-se o risco da irresponsabilidade, da inconsequência. Deixar cada qual na sua caixinha também não funciona. Repressora de sentimentos, a razão solitária pode acabar em depressão.
É aí que entra Têmis, segurando com imparcialidade a balança da justiça. Num prato a emoção, no outro a razão. Eis a difícil sabedoria da dosagem correta, pois o que pode ser um remédio também pode se tornar veneno.



A saída está no equilíbrio. Como um yin-yang, razão e emoção precisam ser ao mesmo tempo antagônicas e complementares. Em alguns momentos a razão vai predominar, em outros a emoção é que vai, fazendo-se necessário uma gota de cada uma dentro da outra.
Enfim, a vida não acontece por compartimentos. A verdade é que, tanto aquilo que ocupa o espaço interno do crânio como o objeto que preenche o vazio do peito são duas faces da mesma moeda. O problema é que o valor de cada um deles é mensurado por uma balança que já escolheu seu lado.

(Texto: Francine Cruz)

Arte em nanquim: Débora Bacchi

24 junho 2020

Canal literário no YouTube

Por conta do distanciamento social causado pela pandemia, muitos eventos que participávamos ao vivo mudaram para o virtual. Por isso, resolvi criar um canal de literatura, para matar a saudade!
Venha conhecer e se inscreva para ter acesso a conteúdos de literatura (prosa e poesia) da melhor qualidade!

Um espaço para falar de literatura, compartilhar leituras e dividir experiências literárias.






20 junho 2020

28º LETRA DE MULHER



     Letra de Mulher é uma roda de conversa sobre autoria de mulheres com mediação do Coletivo Marianas. O 28° encontro será virtual. Para participar publique diretamente na página do evento, no dia 24/06/20, entre 18 e 21 horas, um vídeo (de 1 a 3 minutos) lendo um texto de sua escritora favorita ou de sua própria autoria (prosa ou poesia). Além de postar seu vídeo ou texto, aproveite também para comentar as publicações dos participantes. 
     Nesta edição também haverá um encontro ao vivo no Google Meet das 19 às 20 h, com as leituras de textos de autoria feminina (esse encontro será gravado e ficará disponível posteriormente no canal Letra de Mulher no Youtube.

Confira como foi: 

23 maio 2020

27° LETRA DE MULHER

EVENTO 27° LETRA DE MULHER (27/05/20):

Por: Coletivo Marianas




*O Letra de Mulher é um evento para divulgação de literatura com autoria de MULHERES. 

Leia uma MULHER!

On-line - direto na página do evento:
https://www.facebook.com/events/528400314496540


Para publicar: na página do evento, clique em ADICIONAR PUBLICAÇÃO, acione na barra de digitação as opções de ADICIONAR À SUA PUBLICAÇÃO - FOTO/VÍDEO e poste seu vídeo. Se não conseguir encontrar onde postar, selecione a opção DISCUSSÃO. Prepare o seu vídeo ANTES do horário do evento e o publique entre 18 e 21 horas do dia 27/05/20, pois assim os convidados receberão notificações automáticas de novas publicações. Tenham paciência na hora de publicar seu vídeo, pois demora uns 2 a 5 minutos para aparecer na DISCUSSÃO, mas aparece.
Se prefere participar sem vídeos, poste seu texto.

Se preferir, envie seu vídeo para o e-mail letra.mulher@gmail.com.
Envie antes do evento, para que possamos publicar, caso tenha dificuldades com a velocidade de sua internet.
E também para que ele seja publicado no nosso canal do YouTube.


***Confira os vídeos dos 25, 26°e 27º Letra de Mulher:

https://www.youtube.com/channel/UC-RpouzoY50Np9QuSqlgnDg


Abaixo minhas modestas participações:






13 maio 2020

6ª Edição da Revista Fluxo de Criação Literária

Nesta semana saiu a 6ª Edição da Revista Fluxo de Criação Literária.  
É a primeira edição de 2020 e teve como tema o Feminismo.
Eu estou participando com o conto "A Churrasqueira".

Você pode ler a Revista clicando aqui. Os contos estão maravilhosos!