BPP divulga série de vídeos em homenagem ao centenário do escritor Sidónio Muralha
A Biblioteca Pública do Paraná (BPP) é parceira da Fundação Sidónio Muralha no projeto Do Outro Lado do Vídeo Há um Poema, que comemora o centenário do escritor e poeta português. São 22 vídeos diários com poemas do autor, apresentados por artistas, pesquisadores e estudantes brasileiros e portugueses. O conteúdo está disponível nas redes sociais da Biblioteca e no canal do YouTube BPP Conta. Acesse aqui.
Muralha morreu em Curitiba, em 1982, depois de viver duas décadas no Brasil. Seu legado inclui 20 livros para o público adulto, entre prosa e poesia, e uma premiada produção infantil, com títulos como A Televisão da Bicharada (1962), Valéria e a Vida (1976) e Helena e a Cotovia (1976), entre outros. Em sua edição de maio, o jornal literário Cândido, editado pela Biblioteca Pública, publicou um resgate de sua trajetória, marcada principalmente pela preocupação e o compromisso com as crianças. Leia aqui.
Dica de presente para os pais, avós, maridos… e quem mais se identificar com o tema!
O livro Educação Física na Terceira Idade: Teoria e Prática está com um descontão de 30% no site da Ícone Editora. Aproveite e adquira o seu antes que a oferta acabe!
O objetivo deste livro é dar subsídios teórico-práticos para a realização de programas de educação física para idosos, destacando seus benefícios e particularidades, além de auxiliar profissionais na estruturação de suas aulas com sugestões de atividades.
Roda de conversa sobre autoria de mulheres com mediação do Coletivo Marianas.
O 29° encontro acontece em ambiente virtual e a página do evento estará aberta, entre 18 e 21 horas, para compartilhamento de vídeos e postagens com leituras de textos (poesia e prosa) produzidos por mulheres.
Entre 19 e 20 horas será aberta uma sala, via Google Meet, para participação ao vivo, que poderá ser acessada pelo link https://meet.google.com/dpy-ycmn-aro.
ATÉ MESMO AUTORES EXPERIENTES COMETEM ESSES ERROS,
QUE PODEM FAZER O LEITOR ABANDONAR O SEU LIVRO.
EXCESSO DE ADVÉRBIOS:
Evite o uso excessivo de advérbios, em especial os advérbios terminados em mente que, sãoem geral, os advérbios de modo: calmamente, tranquilamente, alegremente… Mas também podem ser de afirmação: certamente, realmente… de tempo: imediatamente, diariamente… de dúvida: provavelmente, possivelmente, eventualmente… de intensidade: excessivamente, intensamente, demasiadamente…
Os advérbios são utilizados para caracterizar os verbos ou intensificar o sentido de adjetivos ou outros advérbios, eles ajudam o leitor a visualizar com mais clareza o que acontece na história, porém devem ser usados com moderação. O excesso desses complementos podem estragar a riqueza do conteúdo e tornar a leitura cansativa.
Stephen King no seu livro “Sobre a Escrita”enfatizou várias vezes que "os advérbios não são seus amigos" e que "a estrada para o inferno é pavimentada com advérbios".
Usando os advérbios em excesso, o escritor demonstra que tem medo de não conseguir passar sua mensagem e expressar com clareza. Vamos considerar a frase “Ele fechou a porta firmemente”.
Não é uma frase de todo ruim, mas será que o “firmemente” precisava mesmo estar ali? O “firmemente” está expressando o modo como a porta foi fechada, mas se o autor conseguir dentro da sua narrativa esclarecer o que está se passando naquela cena, o que veio antes desse fechar a porta, o contexto em que a frase está inserida, talvez dizer que a porta foi fechada firmemente se torne redundante ou desnecessário.
ADJETIVAÇÃO FÁCIL:
Evite inchar suas descrições com adjetivos. Um bom escritor deve criar as imagens, mostrar e não contar (o famoso show, don’t tell).
O ideal é encenar (colocar em cenas) e não falar explicitamente.
Ex: um personagem lindo e muito desejado pelas mulheres, fazer uma cena onde ele chega e todas as mulheres param para olhar e não falar de forma explícita que ele era “lindo e desejado”.
É de suma importância caracterizar as personagens através de seus atos e falas. Ex: um cara babaca, não basta falar que ele é babaca, tem que fazer ele agir e falar como um.
PANFLETARISMO OU LIÇÃO DE MORAL:
LITERATURA NÃO É PARA CONVENCER OS OUTROS DOS SEUS ARGUMENTOS E IDEIAS PESSOAIS, LITERATURA É ARTE!
A função do texto literário é estética, poética, sua linguagem deve ser expressiva e subjetiva, é um texto conotativo, que usa o sentido figurado. Não é pra ser denotativo, utilitário, para convencer, informar ou explicar as coisas.
TCHEKOV em seu livro “Sem trama, sem final” também diz que escrever não é passar sermão. Ao representar ladrões de cavalos, todo mundo sabe que roubar é um mal, a função não é julgá-los. (deixem isso para os jurados), a minha função é apenas mostrar como eles são.
No livro “O último leitor” de David Toscana, o personagem Lucio trabalha numa biblioteca e fica decidindo quais livros vão para a prateleira e quais vão para o lixo. Logo nas pgs 11 e 12 ele faz sua primeira crítica ao romance fictício intitulado: "As cores do Céu" de Brian MacAllister
(...) " Sabe o que o espera, traste dos infernos? O negro negou com a cabeça embora sua expressão de horror revelasse que sabia muito bem o que o esperava. Os dois o levaram à barreira e o fizeram ver com terror as águas que Murdoch acabava de observar com prazer. O negro parou de lutar. Preferia acabar com tudo de uma vez por todas a continuar aguentando a humilhação de ser arrastado como um cachorro, desviando-se das fezes dos cavalos, ouvindo conversas de bêbados. Você quer dizer alguma coisa antes de enfrentar seu destino?, perguntou Murdoch. O negro disse que sim e, tentando fazer com que sua voz não tremesse, falou: Há um Deus que não diferencia as cores da pele, que ama igualmente negros e brancos... Lucio bufa e fecha abruptamente o livro. Duzentas páginas para que esse negro venha dar lição de moral feito uma freira."
É imprescindível diferenciar o autor pessoa (aquele que organiza esteticamente a obra) do autor narrador (um sujeito social, com seus valores e sua realidade). Ter isso em mente nos ajuda a evitar a tendência a explicar demais a história e os personagens (um bom autor precisa confiar na inteligência do seu leitor!).
Por fim, lembrem-se: a arte é provocativa, é rebelde, é revolucionária e muitas vezes causa estranhamento, nos faz refletir!
Hélio Leites é artista plástico, poeta, performer, contador de histórias, arte-educador e um sujeito muito simpático! Conheci o Hélio em 2016 numa feira literária em Arapoti na qual participamos juntos (eu estava gravidíssima!) e também já tive o privilégio de visitar sua barraca na Feirinha do Largo da Ordem aos domingos. Ele sempre tem uma boa história para contar e nos encantar com suas artes.
TARJA BRANCA - O LIBRETO QUE FALTAVA (CRÔNICAS) é seu primeiro livro e foi publicado pela Editora Prosa Nova em 2017. O livro faz parte da Coleção por um mundo menor (por uma estética do mínimo, porém grandes na essência).
“Tarja Branca é o remédio do futuro.
No futuro o remédio não vai entrar pela boca,
vai entrar pela orelha, é a palavra vestida de histórias,
curando aqueles que não se acreditam doentes".
Alguns temas tratados no livro são: a vida cotidiana, a natureza, a religiosidade simples, a velhice e a arte. O livro é dividido em quatro partes:
- Sobre a arte e o ofício da escrita (introduz a filosofia da tarja branca)
- Lembranças e Memórias (aborda questões sociais como a castração de animais e a desigualdade social)
- Religiosidade, ética e vida (traz personagens da cena curitibana como a "Santa" Helena Kolody e Efigênia Rolim, a Rainha de Papel de Bala).
- Encantos da vida e natureza (muitas flores, passarinhos, frutas e coisas belas para encher nosso olhar de encantamento)
"Onzimo mandamento: suportai-vos uns aos outros"
O estilo de escrita é permeado pela simplicidade e sabedoria franciscana, pela espiritualidade dos santos sempre em harmonia com a natureza. Assim como para Espinosa ou Alberto Caeiro, para Hélio, Deus está em tudo, nas flores, nos passarinhos, nos rios.
O autor também traz originalidade com a criação de neologismos (pazciência, deuslicadeuza, artesanartes, etc).
O humor é o toque de mestre que Hélio usa para lidar com questões complexas como o autoconhecimento e a aceitação da (dura) realidade de que precisamos ser os protagonistas de nossa própria história.
Enfim, um livro delicado e profundo, que vale a pena ser experienciado com tranquilidade.
Vídeo completo com leitura de algumas crônicas do Hélio:
A dualidade razão x emoção tem sido uma das principais angústias da humanidade. Representados de modo genérico pelas figuras do cérebro e do coração, muitos artistas já expressaram esse paradoxo. Lembremos rapidamente do período barroco, de Jane Austen e seu clássico Razão e Sensibilidade e (porque não?) daquele poprock chiclete dos anos 2000 que brinca com razões e emoções.
Há defensores aguerridos de ambos os lados. Os racionais, comumente pragmáticos, focados na realidade e em resultados objetivos prezam por uma vida estável, com segurança, estabilidade e planejamentos de curto, médio e longo prazo.
Ao contrário dos emocionais e sua tendência a devaneios, sonhos e subjetividades. Podem ter planos? Claro! Mas eles são mutáveis e/ou até mesmo esquecidos se surgir alguma coisa mais interessante no meio do caminho.
E há os que acreditam ser um erro separar as duas coisas, afinal, somos um só corpo com dois órgãos de extrema importância, sem os quais não se vive.
O coração é um músculo involuntário, é impulsor do líquido rubro que corre em nossas veias, é ritmo de vida. O cérebro é um controlador de tudo, seja voluntário ou não, é conexão sináptica, é complexidade. Quando estão em sincronia é uma beleza. O problema é quando não estão.
Se o coração predomina, subjugando o cérebro como a um cativo, corre-se o risco da irresponsabilidade, da inconsequência. Deixar cada qual na sua caixinha também não funciona. Repressora de sentimentos, a razão solitária pode acabar em depressão.
É aí que entra Têmis, segurando com imparcialidade a balança da justiça. Num prato a emoção, no outro a razão. Eis a difícil sabedoria da dosagem correta, pois o que pode ser um remédio também pode se tornar veneno.
A saída está no equilíbrio. Como um yin-yang, razão e emoção precisam ser ao mesmo tempo antagônicas e complementares. Em alguns momentos a razão vai predominar, em outros a emoção é que vai, fazendo-se necessário uma gota de cada uma dentro da outra.
Enfim, a vida não acontece por compartimentos. A verdade é que, tanto aquilo que ocupa o espaço interno do crânio como o objeto que preenche o vazio do peito são duas faces da mesma moeda. O problema é que o valor de cada um deles é mensurado por uma balança que já escolheu seu lado.
Por conta do distanciamento social causado pela pandemia, muitos eventos que participávamos ao vivo mudaram para o virtual. Por isso, resolvi criar um canal de literatura, para matar a saudade!
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