21 agosto 2020
FLUSH - UMA BRINCADEIRA EXCEPCIONAL DE VIRGINIA WOOLF
20 agosto 2020
Resenha: A morte é um dia que vale a pena viver - Ana Claudia Quintana Arantes
A morte é um dia que vale a pena viver
E um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida.
Ana Claudia Quintana Arantes - Médica formada pela USP, com residência em geriatria e gerontologia, sócia-fundadora da Associação Casa do Cuidar.
“Eu cuido das pessoas que morrem”
O livro é classificado como sobre morte, perdas, aspectos psicológicos, mas é um livro singelo, de fácil leitura e compreensão, não é cheio de termos técnicos, é bastante leve e poético.
São reflexões da autora que conta quem ela é, porque ela faz o que faz, cuidados paliativos, empatia, medo da morte, medo da vida, a contemplação da morte, etc.
Gostei dos excertos de texto ou música que iniciam os capítulos, deixou bem poético e reflexivo (Manoel de Barros, Clarice Linspector, Lenine).
O livro começa com a autora contando que sua avó tinha uma doença grave e recebia as visitas do médico em casa. Ela, enquanto criança, vendo aquele tratamento gentil do médico com sua avó decide ser médica, porém no 4º ano para a faculdade (em crise por ver o sofrimento das pessoas, sua morte sem um cuidado especial) ela larga os estudos para voltar só depois de 2 anos.
Ela não se conforma com o “não há nada o que fazer” e faz uma crítica ao dizer que os médicos aprendem sobre doenças, remédios, tratamentos, diágnóstico-solução, mas não aprendem sobre a morte e muito menos sobre a vida.
“Cuidamos de tantas pessoas e às vezes esquecemos que nós também precisamos de cuidados. Temos que lembrar que por trás do CRM tem um coração que também sofre por muitas vezes não saber lidar nem com a morte e nem com a vida, porque a faculdade só ensina sobre doença, vivemos na base do problema-diagnóstico-solução e isso nos deixa muito limitados em outras áreas”
A morte ainda é um tabu para muitos e neste livro Ana Claudia compartilha o aprendizado que tem com seu trabalho como médica e como ser humano que cuida de outros seres humanos.
“A morte é uma ponte para a vida” (p. 14)
Considerações sobre o tempo:
“É só pela consciência da morte que nos apressamos em construir esse ser que deveríamos ser”
“As pessoas acham bonito dizer que não teve tempo de comer, de dormir, de viver!”
Primeiro arrependimento das pessoas que tem consciência que em breve vão morrer:
“ Eu gostaria de ter priorizado as minhas escolhas em vez de ter feito escolhas para agradar os outros” (p. 129)
Outro arrependimento:
“Eu deveria ter feito de mim mesmo uma pessoa mais feliz”
“Ninguém pode nos fazer infelizes, apenas nós mesmos”
(São João Crisóstemo)
Gostei muito do livro, de suas reflexões tão importantes e pertinentes e da maneira como isso foi contado, com amor, verdade e poesia.
Abaixo o vídeo que fiz para o Canal Senhora Literatura falando do livro:
15 agosto 2020
Audiolivros - Audiobooks - Livro Falado
Os audiolivros (ou audiobooks, no inglês) ou ainda “livros falados” começaram a se popularizar nas décadas de 1970 e 1980, oferecendo a opção de se ouvir livros com a narração de profissionais.
Minha experiência começou na infância, ouvindo as fitas K7 que acompanhavam os livrinhos infantis e também com a famosa Coleção Disquinho, que faz parte da memória afetiva de toda uma geração (está disponível no Youtube, pra quem quiser conhecer ou matar a saudade!)
Os audiolivros são uma excelente opção de lazer e estudo, você pode ouvir um livro em meio ao trânsito ou outros afazeres, ocupando bem o seu tempo.
Além dos gêneros literários, audiolivros são muito utilizados por estudantes, seja de uma língua estrangeira ou de quem vai prestar algum concurso e quer aproveitar todo tempo disponível para estudar (vestibular, OAB, concursos públicos).
Eles também tem um papel fundamental na acessibilidade e inclusão social, pois são livros acessíveis para público que não sabe ou não pode ler (cegos, idosos com dificuldade de visão, não alfabetizados, etc).
| Biblioteca Púbica do Paraná |
Existem vários estilos de audiolivros: com um só narrador, com vários narradores, efeitos sonoros, etc. Tudo depende da história e do objetivo.
Enquanto escritora, tive a experiência de ter um livro meu publicado em formato de audiolivro. O livro “A Casa dos Dois Amores” conta a história de Felipe e Gabrielle, dois jovens de mundos completamente diferentes (ela filha de militares, ele simpatizante do comunismo) que vão viver uma linda história de amor nos conturbados anos 60. Esse livro tem duração 7h 21 minutos e foi narrado por Ricardo Roldan.
A Casa dos dois Amores pode ser encontrado na Biblioteca Pública do Paraná na sessão de audiolivros. Quem se interessar, tenho poucos exemplares para venda comigo, podem solicitar pelo e-mail francinecruz2011@gmail.com.
Inicialmente os audiolivros só eram encontrados em formato de discos, fita cassetes e, mais tarde CD. Hoje em dia com o avanço da tecnologia e a facilidade dos smartphones, já é possível baixar audiolivros no celular ou no computador, as assinaturas geralmente variam entre 14,90 e 19,90, mas tem diversas opções gratuitas também.
Projeto Gutenberg: milhares de audiolivros gratuitos em diversos idiomas (inglês, português, italiano, francês e alemão). Autores renomados como José de Alencar, Camões, Florbela Espanca, etc.
Tocalivros: assinatura paga (R$ 19,90 por mês), porém disponibiliza opções gratuitas em português. (Ex: O pequeno Príncipe de Saint-Exupery)
Universidade Falada: também é paga (preços variados, por livro), mas dispõem de livros gratuitos.
Free Classic Audio Books: Centenas de livros de grandes nomes como Mark Twain, Jane Austen, Victor Hugo, entre outros.
LibriVox: traz de forma gratuita obras literárias disponíveis em domínio público.
Ubook: assinatura de audiolivros e livros digitais por streaming (R$ 14,90 por mês): Mais de 400 mil títulos. Você assina e tem acesso ao nosso acervo de modo ilimitado para ouvir e ler milhares de títulos - livros, revistas, podcasts, etc - de várias categorias e idiomas em nossa plataforma.
Nem todos gostam, nem todos se adaptam a esse formato de leitura, mas vale a pena experimentar ou quem sabe indicar como uma opção para pessoas que de repente não gostam de ler ou por algum motivo não podem ler.
14 agosto 2020
Feminicídio
Para mim, enquanto mulher, falar de feminicídio é abrir uma ferida profunda no meu próprio coração. Sim, porque mesmo sem ter passado por isso, me sinto irmanada a todas as mulheres que tiveram suas vidas ceifadas pelo simples fato de ser mulher. Todas elas são minhas irmãs, minhas mães, minhas avós, minhas tias, minhas amigas de infância!
Em homenagem a todas elas, esse meu poema acompanhado de uma belíssima arte da Débora Bacchi.
Feminicídio
Flores na cabeça
Adornam o rosto pálido
Ferido por um animal
Chamado Homem
(Francine Cruz)
11 agosto 2020
14 corpos de João e Maria - Um livro que não é para os fracos
06 agosto 2020
Do outro lado do vídeo há um poema
BPP divulga série de vídeos em homenagem ao centenário do escritor Sidónio Muralha
A Biblioteca Pública do Paraná (BPP) é parceira da Fundação Sidónio Muralha no projeto Do Outro Lado do Vídeo Há um Poema, que comemora o centenário do escritor e poeta português. São 22 vídeos diários com poemas do autor, apresentados por artistas, pesquisadores e estudantes brasileiros e portugueses. O conteúdo está disponível nas redes sociais da Biblioteca e no canal do YouTube BPP Conta. Acesse aqui.
Muralha morreu em Curitiba, em 1982, depois de viver duas décadas no Brasil. Seu legado inclui 20 livros para o público adulto, entre prosa e poesia, e uma premiada produção infantil, com títulos como A Televisão da Bicharada (1962), Valéria e a Vida (1976) e Helena e a Cotovia (1976), entre outros. Em sua edição de maio, o jornal literário Cândido, editado pela Biblioteca Pública, publicou um resgate de sua trajetória, marcada principalmente pela preocupação e o compromisso com as crianças. Leia aqui.
Texto extraído do site: http://www.bpp.pr.gov.br/




