RILKE, CARTA 4

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Ao longo dos últimos dias tenho postado aqui as cartas de Rilke para o jovem poeta Franz Kappus, extraídas do livro: "Cartas a um jovem poeta" de Rilke, espero que as reflexões contidas nestas cartas possam ajudar a todos nós em nosso amadurecimento na arte de escrever.

Hoje selecionei alguns trechos da 4° carta, datada de 16 de julho de 1903.

(...) "A idéia de ser um criador, de gerar, de formar não é nada sem a sua contínua e grandiosa confirmação e realização no mundo, nada sem o consenso mil vezes repetido por parte das coisas e dos animais. E só por isso o seu gozo é tão indiscritivelmente belo e rico, porque é feito das recordações herdadas da geração e da gestação de milhões de seres. Em um pensamento criador revivem milhares de noites de amor esquecidas que o preenchem com altivez e elevação. Assim, aqueles que se juntam durante as noites e se entrelaçam em uma volúpia agitada fazem um trabaho sério, reúnem doçuras, profundidade e força para a acanção de algum poeta vindouro que surgirá para expressar deleites indizíveis. Eles convocam o futuro; mesmo que errem e se abracem cegamente, o futuro virá apesar de tudo, um novo homem se elevará, e a partir do acaso que parece se realizar aqui desponta a lei pela qual um germe forte e resistente se lança em direção ao óvulo, que vem receptivo a seu encontro." (...)

(...) "Alegre-se com seu crescimento, para o qual não pode levar ninguém junto, e seja bondoso com aqueles que ficam para trás, seja seguro e tranquilo diante deles, sem preturbá-los com suas dúvidas nem assustá-los com uma confiança ou alegria que eles não poderiam compreender. Procure constituir com eles algum tipo de comunhão simples e fiel, que não precise ser alterada à medida que o senhor mesmo se modifica cada vez mais." (...)

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