MAIS DICAS DO "ÚLTIMO LEITOR"

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Como eu já disse no post anterior, o livro "O Último Leitor" de David Toscana traz várias dicas sobre o que é bom ou não nos livros. Já vimos alguns exemplos, hoje vamos ver mais alguns:

Na pg 41 ele critica o excesso de adjetivos: "Santín mata o menino com uma facada; fala da cara de horror do menino, dos seus olhos abertos como pratos; narra as cenas de violência como os escritores costumam fazer: mencionam o sangue e o horror, mas não se notam nem uma coisa nem outra, por isso incham suas descrições com adjetivos. Lucio levanta a voz; fala como se estivesse diante de uma multidão. Onde os escritores aprendem a matar e morrer? No cinema, onde ninguém morre como a gente morre?"

Na pg 50 o ultimo leitor critica o "apelo ao consumismo": "Além disso, sente-se à vontade com os autores mortos porque descrevem os objetos sem apelar para o consumismo do leitor. A frase Antes de sair, Robert colocou um Giorgio Belli, o preto, o preferido de Emily foi suficiente para que Lucio descartasse "Espelhos de Vida", sem esperar para verificar se Robert tinha posto um paletó ou um chapéu. Acha que um romance se suja menos quando o leitor come em cima dele do que quando o autor menciona a marca da calça de um personagem, ou do seu perfume, ou dos óculos ou gravata ou do vinho francês que bebe em tal ou qual restaurante; os romances ficam manchados com a simples menção de um cartão de crédito, de um automóvel ou da televisão."

Nas pgs 68 e 69 mais algumas colocações: "Do que você está falando?, perguntou Remigio. Lucio olha para ele com desagrado. Destesta este do que você está falando?, um recurso desgastado de alguns autores para criar um diálogo no qual seria melhor respeitar o silêncio, deixar as coisas subentendidas. Não sei do que você está falando, diz Perkins, e o inspetor Fitzpatrick precisa contar como descobriu o culpado, num inventário de rastros, pistas e contradições que não são para Perkins, mas para o leitor."

"Desde que Folsom morreu, o gringos deram para escrever melodramas sobre pais egoístasou viciados ou cheios de manias e filhos que sofrem as consequências. Toda uma geração de escritores dedicada a denegrir seus pais."


E, para descontrair um pouco e terminar as dicas de hoje, pg 87: "Eu acabo de me desfazer de "O outono em Madri", diz Lucio, estava na página sessenta e três; ficaram duzentas e oito sem ler. Eu não passei da vinte diz ela. Para que um tédio desse chegue a Icamole se requer a cumplicidade de autor, corretores, editores, impressores, livreiros e até de leitores; isso sem contar a parceira do autor, que lhe diz sim, meu amor, você escreve muito bem, sim. Delinquência organizada, diz ele."

Abraços e até mais!!!

Um comentário:

suelen.18 disse...

Amo ler .... uma de minhas ultimas leituras foi o livro A ordem é Amém de John Chelh e eu achei incrivel um livro que te proporciona uma leitura mto agradavel uma história surpreendente e emocionante vale a pena ler...espero que gostem ele esta no site: www.seteseveneditora.com.br

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